sábado, 4 de janeiro de 2020

Quase uma Profecia....

Mestre Ariano Suassuna se quisesse prever o futuro não teria sido tão assertivo como nesse texto atribuído à ele em 2010:

"'Tem rapariga aí? Se tem levante a mão!'. A maioria, as moças, levanta a mão. Diante de uma plateia de milhares de pessoas, quase todas muito jovens, pelo menos um terço de adolescentes, o vocalista da banda que se diz de forró utiliza uma de suas palavras prediletas (dele só não, de todas bandas do gênero). As outras são 'gaia', 'cabaré', e bebida em geral, com ênfase na cachaça.
Esta cena aconteceu no ano passado, numa das cidades de destaque do agreste (mas se repete em qualquer uma onde estas bandas se apresentam). Nos anos 70, e provavelmente ainda nos anos 80, o vocalista teria dificuldades em deixar a cidade.
Pra uma matéria que escrevi no São João passado baixei algumas músicas bem representativas destas bandas. Não vou nem citar letras, porque este jornal é visto por leitores virtuais de família. Mas me arrisco a dizer alguns títulos, vamos lá: Calcinha no chão (Caviar com Rapadura), Zé Priquito (Duquinha), Fiel à putaria (Felipão Forró Moral), Chefe do puteiro (Aviões do Forró), Mulher roleira (Saia Rodada), Mulher roleira a resposta (Forró Real), Chico Rola (Bonde do Forró), Banho de língua (Solteirões do Forró), Vou dá-lhe de cano de ferro (Forró Chacal), Dinheiro na mão, calcinha no chão (Saia Rodada), Sou viciado em putaria (Ferro na Boneca), Abre as pernas e dê uma sentadinha (Gaviões do Forró), Tapa na cara, puxão no cabelo (Swing do Forró). Esta é uma pequeníssima lista do repertório das bandas.
Porém o culpado desta 'esculhambação' não é exatamente as bandas, ou os empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de forró, parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. Numa entrevista ao jornal inglês The Guardian, o diretor do Centro de Estudos Alternativos de Belgrado, Milan Nikolic, afirmou, em 2003, que o regime Milosevic incentivou uma música que destruiu o bom-gosto e revelou o primitivismo estético. Pior, o glamour, a facilidade estética, pegou em cheio uma juventude que perdeu a crença nos políticos, nos valores morais de uma sociedade dominada pela máfia, que, por sua vez, dominava o governo.
Aqui o que se autodenomina 'forró estilizado' continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é 'É vou dá-lhe de cano de ferro/ e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos". 

E o pior, Mestre Ariano, é que de fato...eles tomaram as rédeas... 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Bob Zagotta & Don Robinson

"The most brilliant strategy
ever devised won't get you anywhere
if you can't execute it".

"A estratégia mais brilhante
jamais concebida não vai
chegar a lugar algum
se você não puder executá-la". 

 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Feliz Ano Novo!!!!

"A noite é companheira dos aflitos.
À noite os sonhos são sempre mais bonitos".

Cícero Nunes em parceria com Wilson Batista, na música "Taberna".



quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Homenagem ao Bom Velhinho

"Feliz Natal, Papai Noel
Que desce ao léu com seu trenó
Com seu trenó trazendo um saco de emoções
Meu desejo é só beleza para os olhos
Alegria e belos sons para os ouvidos
Pras crianças, meu Velhinho, bons desfrutes
E olfato pra sentir leves odores
Feliz Natal, Papai Noel...
Muito tato pra lidar com os amores
Apurado paladar para os quitutes
Pro prazer sexual muita libido
Que a justiça seja nua e sem antolhos
Paz pros nossos corações e um Ano Novo bem melhor
Sonhos de mel, Papai Noel!
Feliz Natal".

Martinho da Vila, "Conversas Cariocas: Crônicas". 

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Novembro é mês de presentes - Parte 2

Hoje é um dia muito, mas muito especial na minha vida. Novembro é um mês abençoado, mês que a vida resolveu me presentear duplamente.
Há exatos 10 anos um desses presentes chegou com toda a energia e o amor que poderia vir. Ganhei meu parceiro de vida, meu amigão, minha inspiração e grande orgulho.
Sempre me sustentei na frase de Charles Chaplin que dizia que um dia sem riso é um dia perdido. E meu presente chegou me mostrando que Chaplin não apenas tinha razão como que com ele esse riso se faz mais intenso. 
Que privilégio ver seu crescimento, meu filho, e seu desenvolvimento.
"Eu me desenvolvo e evoluo com meu filho", parafraseando Marcelo D2.
Com muito amor sua história está sendo construída, amor de seus pais, de sua família e de seus amigos. Amor de muita gente. Amor de sua avó Dotye que se transformou em uma estrela para te iluminar à noite.
Espero de coração que essa data seja sempre festejada e celebrada à altura de todo o amor que a vida lhe dá. Assim como o meu amor maior que eu.
Você é o grande amor que um pai pode ter. Conte com isso, assim com meu apoio em suas futuras decisões e meu respeito pelo homem que se tornará.
Te amo muito Gabriel Baeta!
10 beijos e 10 abraços pelo seu dia. Um Feliz Aniversário Bael !!!!!!! 





sexta-feira, 1 de novembro de 2019