Muito difícil o momento que vivemos. Não me refiro ao momento político, econômico ou das fases da lua. Me refiro à fotografia atual da falta de solidariedade e pensamento no coletivo que o Brasil vive. E, antes que alguém defenda uma bandeira A ou B, estou falando dos últimos 100 anos.
À cada dia fica mais complicado manter a esperança no nosso país.
Indignação é a palavra que melhor define. Crimes como esses de Brumadinho e de Mariana deveriam ser vistos de outra forma.
Em qualquer país mais sério o país deveria se mobilizar para corrigir o que ficou e evitar que aconteça novamente. Nem uma coisa nem outra foram feitas. O lucro de uns pesa muito mais no Brasil que o bem estar de muitos outros.
O Governo, seja de qual bandeira for tinha de assegurar a correção do efeito gerado pelo crime ambiental cometido. As centenas de famílias que perderam seus sonhos, não perderam apenas casas e vidas, perderam sonhos e sorrisos. Perderam esperança, perderam histórias de vida, perderam tudo.
Seria o momento da máquina do Estado entrar em ação e depois se preocupar em cobrar dos verdadeiros responsáveis essa conta. E não o contrário. Em Mariana foi exatamente o contrário, estão esperando até hoje, 3 anos depois, que a empresa criminosa devolva a dignidade das famílias atingidas. Não pode ser assim.
Temos diversas Embrapas, IBAMAs, Ministérios e outros órgãos públicos que deveriam parar o que estão fazendo ou designar equipes suficientes para equacionar os problemas ambientais e de produção rural nessas regiões. De imediato. Como resgatar a economia local? Como fornecer moradias dignas a essas pessoas e condições de recuperar o que perderam? Depois disso, só depois, é que o Governo deveria ir atrás da empresa e cobrar essa fatura.
Estamos preocupados com a fratura do Neymar, com a eleição na Câmara e no Senado, com os Big Brothers da vida real e não em ajudar quem precisa de verdade. Talvez por isso temos jovens cada dia mais alienados e fúteis, quando deveriam ser mais responsáveis e engajados socialmente.
Quais serão as prioridades nesse momento dos nossos órgãos públicos?
Enquanto a coletividade não for prioritária viveremos no país que gera ações para o próprio umbigo. E, também nesse caso, a conta chega um dia. E chega cara.
Como manter a esperança em nosso país dessa forma? Como?
Como manter a esperança em nosso país dessa forma? Como?



