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domingo, 28 de fevereiro de 2021

Bráulio Bessa

"Não é produto de marca que define um cidadão.

Nunca julgue nessa vida um homem de pés no chão,

Pois o sapato calça os pés,

Mas não calça o coração". 



segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Noel Rosa e Vadico

O samba, na realidade
não vem do morro
nem lá da cidade.
E quem suportar uma paixão
sentirá que o samba então
nasce do coração.

Noel Rosa & Vadico, "Feitio de Oração"

 

sábado, 16 de março de 2019

Ontem foi celebrado o Dia Nacional da Poesia!

Timidez

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…
e um dia me acabarei.

Cecília Meireles 

 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Quem é ela?


Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quanto mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
 Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes 

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Boas reflexões

"...hemos perdido en cien años las mejores virtudes humanas del siglo XIX: el idealismo febril y la prioridad de los sentimientos: el susto del amor.
En algún momento del próximo milenio la genética vislumbrará la eternidad de la vida humana como una realidad posible, la inteligencia electrónica soñará con la aventura quimérica de escribir una nueva Ilíada, y en su casa de la Luna habrá una pareja de enamorados de Ohio o de Ucrania, abrumados por la nostalgia, que se amarán en jardines de vidrio a la luz de la Tierra."

Gabriel García Márquez
In: Yo no vengo a decir un discurso


terça-feira, 1 de outubro de 2013

A linguagem da arte

Chinolope vendia jornais e engraxava sapatos em Havana. Para deixar de ser pobre, foi-se embora para Nova York.
Lá, alguém deu de presente a ele uma máquina de fotografia. Chinolope nunca tinha segurado uma câmera nas mãos, mas disseram a ele que era fácil:
- Você olha por aqui e aperte ali.
E ele começou a andar pelas ruas. Tinha andado pouco quando escutou tiros e se meteu num barbeiro e levantou a câmera e olhou por aqui e apertou ali.
Na barbearia tinham baleado o gângster Joe Anastasia, que estava fazendo barba, e aquela foi a primeira foto da vida profissional de Chinolope.
Pagaram uma fortuna por ela. A foto era uma façanha. Chinolope tinha conseguido fotografar a morte. A morte estava ali: não o morto, nem o matador. A morte estava na cara do barbeiro que a viu.

Eduardo Galeano
In: O Livro dos Abraços.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Poesias

Um grande poeta e amigo das antigas resolveu registrar na grande rede seus versos em seu novo site.
Carlinhos, Carlos alberto, Cazalberto ou simplesmente Beco foi membro da famosa República na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, a República "Éramos Seis".
Bons e saudosos tempos, em que ele, eu, Leandro Xuxa, Ronaldo, Inácio Massao e Ciro, convivemos e aprontamos bastante. Mais tarde houveram outros (des)agregados.
Naquele momento as poesias eram outras, menos harmoniozas e mais etílicas.

Salve Carlinhos!

Segue uma amostra, aspirada daqui.

(Rio, 16 de setembro de 2010)

Não morri, não parti, não me afastei
Estou ainda onde sempre estive
Nas coisas simples e nas complicadas
estou onde sempre me instalei
minha alma sempre bela vive
sou falada, escrita e sou cantada

o mundo mais rápido me olha menos
o tempo apressado tenta me esconder
atravesso no meio, bato na porta e entro
quando preciso me mostrar para você

sou a luz do sol, da lua, da vela na mesa
sou o passarinho e a flor no mato
sou a riqueza de toda natureza
e também sou a pobreza de um barraco

sou mulher, sou homem, sou criança
sou coisa qualquer, sou madrugada
sou cão sem dono e sou bonança
sou o que quiser, o tudo e o nada

quando mal perceber estou contigo
onde menos pensar eu apareço
olhe ao lado e atente seu ouvido
poderá ver o valor que eu ofereço

um segundo, uma vida, um instante
é suficiente pra ver que estou aqui
não me insulte e não despreze minha presença
tudo posso fazer você sentir


Carlos Alberto Pereira Bezerra